Em vários países do mundo, inclusive no Brasil, o crescimento de áreas urbanizadas deu-se de forma acelerada, tendo como consequência o surgimento de populosos centros urbanos, onde raramente o tema drenagem urbana foi considerado como prioritário. O processo de urbanização gera como grande consequência mudanças no uso e ocupação do solo, principalmente nas suas condições originais de permeabilidade, fazendo com que no verão, quando a precipitação é abundante, grandes picos de vazão sejam produzidos em um pequeno espaço de tempo. Isso ocorre devido à diminuição da evapotranspiração e da infiltração da água no solo, causado pelo asfaltamento de ruas e construções nos lotes, aumento da velocidade de escoamento das águas pluviais em virtude do asfaltamento de ruas e da canalização dos pequenos córregos. Como resultado dessas práticas temos as inundações, tão comuns nos períodos chuvosos, alardeadas como absurdas, mas esquecidas nas semanas seguintes a sua ocorrência. Ora, inundações são fenômenos naturais, ocorrem periodicamente em trechos de uma bacia hidrográfica mais sujeitas a condições propícias, notadamente topografia plana e baixa permeabilidade dos solos, associadas à precipitação significativa.

Em áreas urbanas, a abordagem mais tradicional adotada para solucionar problemas de drenagem urbana superficial é orientada para o transporte da água. Tais sistemas são compostos de condutos e canais complementados, projetados para a coleta de escoamento das águas pluviais seguido do transporte imediato e rápido das águas da área de coleta até o ponto de descarga, transferindo vazões à jusante para minimizar danos e rupturas dentro da área de coleta.

Desde a década de 1970, países desenvolvidos buscam desenvolver estratégias que não utilizem somente esta metodologia convencional e insustentável para a solução dos problemas de drenagem urbana, apresentando novos conceitos e alternativas, com a ideia de gestão local da água pluvial. As alternativas constituem-se em medidas de controle que simulam as condições naturais de escoamento, que podem ser adotadas na fonte, na microdrenagem e na macrodrenagem, com o objetivo de controle do escoamento, sem aumentar as vazões à jusante ou sobrecarregar o sistema de drenagem, minimizando assim os impactos decorrentes da urbanização.

Exemplos de medidas de controle mais utilizadas são reservatórios, áreas de infiltração, jardins de chuva, telhados verdes, pavimentos permeáveis, tanques de detenção e retenção, dentre outros sistemas, que podem ser combinados ou não, dependendo do tipo e critério do projeto proposto. Tais medidas podem auxiliar na atenuação dos picos de vazões, propiciar condições de infiltração e percolação de água no solo e reduzir as inundações urbanas, favorecendo ainda essas áreas com ganhos estéticos, melhora do microclima e benefícios para qualidade de vida dos habitantes.

A associação desses sistemas sustentáveis com os tradicionais sistemas de esgotamento já adotados constitui em alternativa capaz de readequar ou aumentar a eficiência hidráulica dos sistemas de drenagem, melhorando a gestão da drenagem urbana e reduzindo os custos de implantação da rede de drenagem, que não precisa ser tão robusta, e, portanto, merecem incentivos à implantação.

 Por Fernando F. Barros Ferraz e Thaina Ceccatto

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